quarta-feira, junho 28, 2006

Felicidade é...fazer as malas!

Para a maioria das pessoas, fazer a mala é uma coisa muito simples. Pra mim não. Estou sempre com a preocupação de levar aquilo que venha a precisar, mas também evitar excessos de bagagem. As malas, infelizmente, ficam muito mais pesadas do que imaginamos. É um problema de poder de síntese e de bom senso. Penso sempre: “vai ser uma longa noite”. Toda vez que preparo minha mala pra viajar lembro inevitavelmente do episódio “FELICIDADE é... ESTRADA” do longa-metragem Felicidade é.... Lembro principalmente da imagem de uma caixa com livros adoráveis, filmes maravilhosos, boa música, bom vinho, e taças de cristal e muitos planos sob um clima frio e aconchegante. De longe, o melhor episódio deste longa é Estrada, roteirizado e dirigido por Jorge Furtado. Amigos tomam a estrada em direção ao que promete ser o programa ideal. Furtado recriou o charme e a frivolidade de dois jovens casais de classe média alta que planejam seus passatempos para um final de semana de férias campestre. Enquanto isso, em rota de colisão com eles, trafega um caminhoneiro com seu caminhão velho e sem freios, querendo voltar correndo para um insuportável compromisso doméstico. No cruzamento fugaz de destinos tão díspares, Furtado condiciona a felicidade à sorte. Talvez num breve futuro, estes dois caminhos vão terminar se cruzando. Mas quem acredita em Destino?! Em todo caso vou começar a fazer as malas!
Curta: FELICIDADE É... ESTRADA 17 min, cor, 1995 - episódio do longa-metragem FELICIDADE É...

domingo, junho 25, 2006

Lost in translation foi pra coleção!

Sim, eu comprei.
Lost in Translation" foi para mim, além de muitas outras coisas, um passaporte para o Japão moderno. Senti este estar perdida em uma cidade completamente siderada por uma cultura pop tecnológica impressionante: edifícios brilhantes na vanguarda da arquitetura, revestidos de caracteres japoneses, e também o karaokê, os jogos e os néons.
Tudo isto dividindo espaço com templos budistas e tradições milenares. As diferenças culturais não são pejorativas, mas sim expressas de forma muito comedida: apenas mostra a sua surpresa - e mesmo fascínio- pela outra cultura.

O filme evoca uma solidão fascinante em que os personagens aproveitam-se um do outro para passar as terríveis insônias que têm. É como irmos angustiados a um lugar onde não nos sentimos bem. As coisas não são do nosso agrado (a música, o ambiente, tudo). Finalmente encontramos alguém e temos uma conversa noite fora com essa pessoa. Nesta situação há um pouco de ‘Disponibilidade’ para se relacionar.

quinta-feira, junho 22, 2006

Copa 2006: Jogadas Muito Além do Cidadão Kane

Liguei a Tv minutos antes de começar o jogo Brasil x Japão.
É engraçado como uma única rede de Tv nacional consegue exclusividade numa transmissão de Copa do Mundo. Novamente remo contra a maré. Como Nélson Rodrigues considero que “toda a unanimidade é burra”.
Antes de mais nada, é muito bom que todos revejam o documentário sobre a Globo feito pela BBC de Londres. Chama-se 'Brazil: Beyond Citzen Kane', (Além do Cidadão Kane) que Roberto Marinho impediu a entrada no Brasil por meios jurídicos de questionáveis a abertamente corruptos.
A página CMI - Mídia Independente, disponibiliza o filme para download gratuito!http://www.midiaindependente.org (...) Nelson Rodrigues já havia escrito, com todo seu gênio e cinismo, que a seleção brasileira de futebol era "a pátria em calções e chuteiras, a dar rútilas botinadas, em todas as direções, como um centauro truculento". Muitos responderiam com autoridade: "Brasil, ame-o ou deixe-o" ... como se fosse fácil pagar as passagens... mas durante a copa só acredito nos argumentos da libação, álcool, que ninguém é de ferro! Até o próximo jogo!

domingo, junho 18, 2006

Instalações em verde-amarelo

Mais uma vitória brasileira e as ruas assemelham-se a um rio verde-amarelo realçando a forma das cidades!
O que me fascina na Copa é a união das pessoas. Confesso que assistir aos meus vizinhos durante a noite, fechando ruas, pintando bandeiras e frases no asfalto e nas calçadas me comove mais que os gols. Ao olhar para todo aquele verde-amarelo lembrei-me da belíssima instalação "Portas",do Central Park de Nova York.Uma torrente parecia verter um rio alaranjado nos 7.500 portais instalados ao longo de 37 quilômetros de trilhas do parque nova-iorquino.

sexta-feira, junho 16, 2006

X-men III "Confronto final"?

Eu deveria ter escutado as sábias palavras de um colunista crítico de cinema "Por falar em final... deixa pra lá! Só me sinto na obrigação de avisar: NÃO SAIA DA SALA ATÉ O FINAL DO ÚLTIMO CRÉDITO!" Putz... ao dizer isso havia uma mensagem implícita "mesmo que sintam vontade de sair, FIQUEM! Vocês esperaram tanto por este Filme e ele custou tão caro... foi o que senti...vontade de sair...mas como havia lido tal crítica me segurei até o final dos últimos créditos... e não é que eles ainda conseguiram piorar as coisas (vocês terão que ver).... Lembrando que o subtítulo da trama sugere que todas as dúvidas e destinos dos heróis (e vilões) estarão selados neste episódio, fui tomada por surpresinhas a cada cena, até parecia último capítulo de novela, com direito aos dramalhões e não apenas as resoluções. As idéias do Filme são meramente pinçadas tendo como único critério a diversão, que não funciona bem. A duração já deixa claro: 104 minutos, quase meia-hora a menos que o anterior, e como parecia mais! Nada de filosófico ou que dê margens a discussões como os embates de Charles Xavier (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen) nos primeiros filmes. Nenhuma cena marcante apenas algumas tentativas de justificarem os gastos com os super-efeitos especiais.
O excesso de personagens incomoda. A oscarizada Halle Berry e sua Tempestade tiram espaço de outros personagens e Vampira (Anna Pakin) desaparece na trama com sua crise adolescente, isso sem falar no Ciclope (James Marsden), que mal aparece. Mais sorte tiveram outros novos mutantes, o Fera (Kelsey Grammer) e o Fanático (Vinnie Jones), com superexposição de poderes! Wolverine (Hugh Jackman), claro, e Jean Grey (Famke Janssen) são os que menos sofrem com a superpopulação de mutantes. Com o visual inspirado em Carie há cenas de sobra para definir a ameaça da revivida telepata e sua transformação na mais poderosa força, a Fênix, mas que ironicamente e literalmente é destruída pelas garras do amor.
O grande barulho quando Bryan Singer anunciou que faria Superman - O retorno e não voltaria para o terceiro capítulo da cine-série X-Men, é agora justificável...
01- O metal das prisões eu ia jurar que era plástico...
02- Tem demasiados momentos cômicos,ou pretensos a comicidade...
03- Seis mutantes contra 1000 só por si, é imbecil, e nem dificuldade eles tiveram.
04- As soluções são demasiado óbvias e não há nenhuma ideia que nos dê para pensar.
05- A idéia toda do racismo, da discriminação, tudo aquilo que o diretor do primeiro filme fez passar tão bem, aqui foi eliminado.
06- Magneto, a interpretação de Ian McKellen, é o meu ator preferido e é uma pena que um texto tão idiota lhe tivesse sido dado para interpretar. Por exemplo, Magneto e Colossus podiam ser eliminados em sequencias espetaculares logo no inicio da batalha final (uff... Eram tantas, né? ...)
07- Mystique - salva Magneto, curando-se, e o Magneto a abandona à sua sorte mas diga-se de passagem, como não se incomodar com o texto machista "nada mais mortal que uma mulher abandonada"... era pra rir???
08- Jean Grey, Phoenix uma morte estúpida, porque o Wolverine não se limitou a curá-la?
09- Wolverine, Demasiado pacífico. Demasiado calmo e educado. Perdeu a agressividade e as piadas (boas).
10- Efeitos especiais demasiados fantásticos...

Filme visto dia 14 de junho de 2006 Sala 03 Multiplex Lumière Araguaia

quinta-feira, junho 08, 2006

Eu e "Annie Hall"

(Para j.caio que me apresentou Woody Allen e me fez apaixonar por Alvy Singer)
Woody Allen como ninguém dosa ironia e bom humor principalmente quando é para revelar dores e memórias de um romance fracassado. Annie Hall é estruturalmente inventivo, a narrativa é flexível e feita diretamente à câmera. Um filme auto-reflexivo com piadas, relatos pessoais espontâneos, mórbidos e divertidos. Uma estrutura narrativa incomum para os padrões americanos. Sendo não linear costura lembranças, diálogos e confissões. Allen com muita liberdade cria uma estrutura desconexa e episódica, e com convergências entre as seqüências, remete ao relacionamento dos protagonistas com situações periféricas com um perfeito domínio visual. O filme proporciona muitas identificações com as experiências dos personagens e sentimos uma espécie de nostalgia de relacionamentos marcantes que já tivemos. Um espelho comportamental de neuroses, intelectualidades e manias: uma visão pessimista da personalidade anti-social e humanista do diretor, mas também sua razão perspicaz e refinada pela ironia.
Pra mim, Annie Hall, é um filme singular: não quero que aquele relacionamento acabe. Acostumei-me com a presença de Alvy e Annie e de minhas inúmeras identificações, com constantes sensações de déjà vu. O Filme é um retrato fiel das situações de todos nós que gostaríamos de na vida real controlar circunstâncias que nos escapam. “... Vocês sabem que nós estamos sempre tentando fazer com que as coisas fiquem perfeitas no domínio da arte, já que isto é quase impossível na vida”. (Alvin Singer)
Annie Hall, (EUA): 1977, No Brasil vulgarmente chamado de: Noivo neurótico e Noiva nervosa Direção: Woody Allen

domingo, junho 04, 2006

Lost in Translation

Talvez seja algo muito pessoal mas tive um grande prazer em observar duas pessoas agradáveis conversando, muitas vezes, com muitos silêncios entre uma frase e outra. Nada acontece durante a trama e isso soa tão natural que os personagens são transparentes, profundos, mais do que acontece na maioria dos filmes . Não é uma história de amor, mas de carinho. Tudo acontece em um Hotel na cidade de Tóquio, com data marcada para voltar pra casa. Dois estranhos terminam se encontrando no bar do hotel, de onde surge uma lenta e gradual relação de envolvimento. Se juntam, se aproximarem, e isso siginica se apaixonar também: mesmo que não exista encontros românticos. As cenas mostram pessoas que, às vezes, não sabem bem o que fazer, nem tampouco o que desejam fazer: um constrangimento delicioso. São cenas discretas, tendo o Japão como pano de fundo, aliás, em uma das melhores cenas do filme, eles passeiam de taxi pela noite lindíssima de Tóquio, nada de especial acontece, a não o fato de que as luzes e a noite da cidade grande roubam a projeção. A solidão experimentada pelos personagens é encantadora e profunda: um estranhamento espacial, um deslocamento psicológico e uma carência contida: os personagens se encontram justamente quando sentem desencontrados de si mesmos. Confuso? Talvez seja algo muito pessoal.
Ps. A cena do Karaokê é imperdível!
Lost in Translation, EUA, 2003 Direção: Sofia Coppola no Brasil virou "Encontros e Desencontros"

sábado, junho 03, 2006

Ah, se eu fosse rosa...!

Ah, se o e-jovem nascesse rosa... Tudo seria diferente! Os pais já saberiam desde bebê que o filho é gay e poderiam se preparar para educá-lo como tal. O garoto não precisaria esconder nada de ninguém, pois estaria visível enquanto homossexual para todos, e poderia trabalhar melhor o seu próprio orgulho. Famílias das mais diferentes classes sociais veriam gays nascendo em seu meio e cada vez mais a sociedade iria perceber o quanto ser gay é normal. Praticamente todo mundo tem um parente ou um grande amigo gay – isso apenas ia ficar muito mais visível. Homossexuais seriam vistos no seu dia a dia, trabalhando, estudando - vivendo! - e não apenas em manifestações festivas. O orgulho gay seria algo construído durante todo o ano. Mas não se nasce rosa... é preciso criar essa visibilidade nós mesmos e exigir que crianças e jovens homossexuais tenham um tratamento digno dentro de suas casas. E não é só dentro de casa que a educação falha – a Escola tem muito dessa culpa também. Elas devem aceitar o fato de que a homossexualidade é presente entre suas salas de aula. Não podemos mais compactuar com isso. E ponto.

sexta-feira, junho 02, 2006

"Adeus Orkut?"

Quando cliquei no link do e-mail, aceitei o convite, respondi àquele questionário enorme e escolhi minha foto mais legal, não podia imaginar o que era de fato aquele mundinho azul. Eu só sabia que era um site com comunidades para todos os gostos, cheio de gente bacana e que era preciso ser convidado por um membro pra entrar. Achava legal reencontrar pessoas e receber scraps e testimonials Enquanto eu conhecia o site e reencontrava o passado, me deliciava com álbuns de fotos e scrapbooks alheios. O Orkut desperta o nosso lado voyeur. Eu estava em muitas comunidades e não participava de nenhum fórum, simplesmente minha foto com meu nome embaixo constava nas listas de membros. Passava horas logada, respondendo scraps, fuçando perfis....
Agora o velho argumento orkutiano não cola: Encontrar amigos do passado? ...Sinceramente, se fossem amigos de verdade não seria preciso usar um localizador para encontrá-los. Amigos de verdade já fazem parte dos nossos contatos e nos acompanham durante a vida. Não precisam ser "caçados". O orkut é um incentivo ao ócio (muito diferente do ócio criativo)