quarta-feira, agosto 30, 2006

sobre blogues e blogueiros

Melancomicidade
Alguns blogues me fazem rir arrogantemente e fico triste: principalmente porque são mais sinceros que o meu. Diários íntimos de uma quase depressão: gente que quer ser ouvida e explode em palavras sós.
Esses blogues gritam para dentro, mas exibem as fraquezas cá para fora. Procuram um grande amor, um trabalho, mais dinheiro, um pênis maior ou o pênis de outrem.
Alguns fazem tempestades em copos d’água e os copos nem água tem. Nem os ventos se aproximam. Inundam-se de auto-demagogia e de vaidades. Libertam os seus monstrinhos (ou monstros porque a utilização de um diminutivo num post cheira a crítica e soa sempre a cinismo).
Quem escreve se sente deus e procura deus. A escrita: religião própria. A página branca do Word: Igreja. Ler esses egocêntricos locais sagrados faz-me rir melancomicamente. Noto mais uma vez que a própria melancomicidade humana sempre me enterneceu.
Pós Post
Nem todos os blogues são como descrevi. Excluo o meu porque muitas críticas que apontei aos outros as faço a mim mesma, portanto existe conhecimento de causa.
Blogueiros não são iguais e blogues não falam das mesmas coisas. A comparação é minha e tem vários critérios pessoais. Blogues escritos com sinceridade são bons se bem que não haja ninguém imaculadamente sincero quando escreve. Na escrita existem sempre construções, com menor ou maior grau de pureza.
Abrimos blogues para poder julgá-los genial ou patético, por que a possibilidade de crítica é a maior liberdade: poder dizer o que pensamos sem sermos politicamente corretos.
Talvez a melancomicidade tenha a ver com o medo do ridículo que eu também possuo. Só que eu gosto de expor, e ao expô-lo, deixo nus os que também se sentem ridículos.
Coisas que você não pode morrer sem saber: O Oceano Atlântico é mais salgado que o Pacífico.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Mister Oscar e o Festival de Cinema Italiano em Goiânia

Sobre a Oficina de Crítica Cinematográfica de Rubens Ewald Filho
Local: Cine Municipal Goiânia Ouro Rua 3 esq. Com Rua 9 Shopping Ouro-Centro
Dia 21 começou a Oficina de Crítica de Cinema com Rubens Ewald Filho. Durante três dias participaram da oficina 40 pessoas entre jornalistas, cineastas e estudantes universitários, depois de uma acirrada seleção entre mais de 300 inscritos. A Oficina totalmente gratuita promovida pelo Cine Municipal Goiânia Ouro, trouxe ao cenário goiano o Mister Oscar. Tímido, o crítico-diretor, roteirista e agora teatrólogo falou sobre sua carreira e as experiências profissionais. Com um humor inteligente comentou sobre o Cinema Americano, a Indústria Cinematográfica e os Bastidores (acho que a parte que mais lhe diverte!), além de narrar histórias interessantes, como o recente declínio do mocinho Tom Cruise, e também sua antipatia pelo diretor David Lynch (Se era para apelar, para academia, eca, apelemos... deixo abaixo currículo do diretor suspeito). Tampouco nos poupou das típicas alfinetadas. Para quem esperava sair da Oficina com um manual de crítica cinematográfica e conhecimentos teóricos profundos: a Oficina decepcionou, e muito! Por outro lado, o bom humor e a experiência com celebridades de Rubens rendeu três tardes de bate papos agradáveis... nada mais do que se poderia esperar do Garoto Propaganda do Oscar...
O Currículo Politicamente correto de David Lynch: Recebeu 3 indicações ao Oscar, na categoria de Melhor Diretor, por "O Homem-Elefante" "Veludo Azul" (1986) e "Mulholland Drive" (2001). / - Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, por "O Homem-Elefante" (1980).- Recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Diretor, por "O Homem-Elefante" (1980) e "Mulholland Drive" (2001)./ - Recebeu 2 indicações ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Roteiro, por "Veludo Azul" (1986) e "Mulholland Drive" (2001)./ - Ganhou a Palma de Ouro, no Festival de Cannes, por "Coração Selvagem" (1990)./ - Ganhou o prêmio de Melhor Diretor, no Festival de Cannes, por "Mulholland Drive" (2001).- Recebeu uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Diretor, por "O Homem-Elefante" (1980).- Recebeu uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Roteiro, por "O Homem-Elefante" (1980).- Recebeu 2 indicações ao Cesar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por "O Homem-Elefante" (1980) e "Mulholland Drive" (2001). Venceu em 1980./ - Recebeu 2 indicações ao Independent Spirit Awards, na categoria de Melhor Diretor, por "Veludo Azul" (1986) e "A História Real" (1999)./ - Recebeu uma indicação ao Independent Spirit Awards, na categoria de Melhor Roteiro, por "Veludo Azul" (1986). /- Ganhou o Prêmio Bodil de Melhor Filme Americano, por "A História Real" (1999).

FESTIVAL DE CINEMA ITALIANO

Filmes italianos agitam programação do Goiânia Ouro O Cine Municipal Goiânia Ouro apresenta a partir de segunda-feira até o dia 03 de setembro a Mostra de Cinema Italiano com 7 filmes, aos quais o público terá várias opções de horário em dia de estréia e um dia para reprises. Os filmes serão exibidos nos horários alternativos de 12h30 e 15h, a preço único de R$ 1,00 e às 18h30 e 20h30 a R$ 2,00.

Confira a programação completa

Estréia Dia 21 de Agosto - 2ª feira Horário: 20h30 Filme : Aprile - Direção Nanni Moretti

Dia 22 de agosto - 3ª feira 12h30: A Janela da Frente - Direção: Ferzan Ozpetek 18h30: A Janela da Frente - Direção: Ferzan Ozpetek 20h30: A Janela da Frente - Direção: Ferzan Ozpetek Dia 23 de agosto -

4ª feira 12h30: A Janela da Frente - Direção: Ferzan Ozpetek 18h30: A Janela da Frente - Direção: Ferzan Ozpetek 20h30: A Janela da Frente - Direção: Ferzan Ozpetek

Dia 24 de agosto - 5ª feira 12h30: Noite de Cabíria - Direção: Federico Fellini 18h30: Noite de Cabíria - Direção: Federico Fellini 20h30: Noite de Cabíria - Direção: Federico Fellini

Dia 25 de agosto - 6ª feira 12h30: Noite de Cabíria - Direção: Federico Fellini 15h: Noite de Cabíria - Direção: Federico Fellini 18h30: Noite de Cabíria - Direção: Federico Fellini 20h30: Noite de Cabíria - Direção: Federico Fellini

Dia 26 de agosto - sábado 12h30:Concorrência Desleal - Direção Etore Scola 15h: Concorrência Desleal - Direção Etore Scola 18h30: Concorrência Desleal - Direção Etore Scola 20h30: Concorrência Desleal - Direção Etore Scola

Dia 27 de agosto - domingo 12h30: Concorrência Desleal - Direção Etore Scola 15h: Concorrência Desleal - Direção Etore Scola 18h30: Concorrência Desleal - Direção Etore Scola 20h30: Concorrência Desleal - Direção Etore Scola

Dia 28 de agosto - 2ª feira 12h30: Antes da Revolução - Direção Bernardo Bertolucci 15h: Antes da Revolução - Direção Bernardo Bertolucci 18h30: Antes da Revolução - Direção Bernardo Bertolucci 20h30: Antes da Revolução - Direção Bernardo Bertolucci

Dia 29 de agosto - 3ª feira 12h30: Antes da Revolução - Direção Bernardo Bertolucci 15h: Antes da Revolução - Direção Bernardo Bertolucci 18h30: Antes da Revolução - Direção Bernardo Bertolucci 20h30: Antes da Revolução - Direção Bernardo Bertolucci

Dia 30 de agosto - 4ª feira 12h30: A Noite - Direção: Michelangelo Antonioni 15h: A Noite - Direção: Michelangelo Antonioni 18h30: A Noite - Direção: Michelangelo Antonioni 20h30: A Noite - Direção: Michelangelo Antonioni

Dia 31 de agosto - 5ª feira 12h30: A Noite - Direção: Michelangelo Antonioni 15h: A Noite - Direção: Michelangelo Antonioni 18h30: A Noite - Direção: Michelangelo Antonioni 20h30: A Noite - Direção: Michelangelo Antonioni

Dia 01 de setembro - 6ª feira 12h30: Aprile - Direção: Nanni Moretti 15h: Aprile - Direção: Nanni Moretti 18h30: Aprile - Direção: Nanni Moretti 20h30: Aprile - Direção: Nanni Moretti

Dia 02 de setembro - sábado 12h30 Aprile - Direção: Nanni Moretti 15h: Aprile - Direção: Nanni Moretti 18h30: Aprile - Direção: Nanni Moretti 20h30: Aprile - Direção: Nanni Moretti

Dia 03 de setembro - domingo 12h30: Belíssima - Direção: Luchino Visconti 15h: Belíssima - Direção: Luchino Visconti 18h30: Belíssima - Direção: Luchino Visconti 20h30: Belíssima - Direção: Luchino Visconti

Email: fernandacinthya@uol.com.br

domingo, agosto 20, 2006

O RJ para iniciantes

Nós Goianos nos ofendemos quando um forasteiro nos pergunta se nas ruas de Goiânia transitam onças e boiadas. Raras exceções os bois estão confinados e as onças no zoológico. Insinuações de que a Capital não saíra do mato, são complicadas num tempo em que nada ofende mais que ter um pé no atrasado cerrado bravio. Aprendamos com os cariocas que ganham dinheiro com o que em outros tempos só aparecia como rótulo à Cidade Maravilhosa, uma das cinco mais belas do mundo.

São os cariocas experientes mestres em turismo: o Rio mostra tudo o que tem de mais bravio e exótico. Obviamente, começa pelas favelas, que eram, num passado pouco distante, apagadas dos morros com os melhores retoques fotográficos.
Desbravadores do eco-turismo no asfalto, seus veículos 4x4, levam à floresta da Tijuca, e no alto do morro a atração internacional da Rocinha: um contato com as raízes do povo brasileiro.
Com as publicitárias favelas do cenário carioca surge um grande negócio: no mínimo três firmas rivais à JeepTour. E, pelo lugar que ocupa nas propagandas, as agências, com ufanismo prometem “a maior favela da América do Sul”.
Geralmente, localizadas próximo aos locais de subsistência, presta qualquer tipo de serviço – lícito ou ilícito. A favela também “exporta” serviços e horas de trabalho para o asfalto; recebe renda, em parte “importa” bens e serviços do asfalto, mas em função do tamanho e da renda média obtida, alimenta uma cadeia de empregos e atividades na própria favela, desde a cabeleireira-manicure até o “burrinho” que transporta materiais de construção nas costas para as encostas.
Esse microcosmo promove programações bem diversificadas: mergulho na rotina da Rocinha, “com visita a casas de moradores, creches e escolas, caminhadas por entre vielas e pelo centro de comércio do bairro”, além de conhecer o galpão da escola de samba e uma feira-livre com “comidas, bebidas e artigos de artesanato da região Nordeste”.
Os carros que levam mais de 1200 turistas por mês são relíquias das forças armadas compradas em sucatas. E os forasteiros como bons turistas, estão sempre vestidos a caráter: andam nas caçambas abertas, desmanchando os penteados ao sol e ao vento.
E os assaltos, balas perdidas e traficantes encastelados nos feudos? Seria o diferencial qualitativo do famoso turismo carioca? Apenas uma estratégia empresarial: empregam de preferência motoristas e cicerones da própria favela. Sabem aonde ir, e o que fotografar.
Existe algo de estranho na violência carioca, como também nas boiadas que andam soltas nas ruas Goianas.
A violência Carioca, de perto, parece bem adestrada.
Ps. Foto tirada na Lagoa Rodrigues Freitas no RJ, julho de 2006, na última das várias visitas feitas à cidade. Pasmem, nunca fui vítima de assalto ou bala perdida!

quarta-feira, agosto 16, 2006

Yes, eles têm bananas!

150 GLBTS PROMOVEM MANIFESTAÇÃO CONTRA HOMOFOBIA DO BANANA SHOPPING EM GOIÂNIA” 09 de agosto de 2006: “Uma banana para a homofobia”.

O nome Banana Shopping, que batiza um centro comercial recentemente expandido em Goiânia, tornou-se, nos últimos dias, no mínimo, sugestivo. O negócio agora é banana ... Culpa talvez seja da Carmen Miranda, Yes, nós temos banana, Banana prá dar e vender, Banana, menina, tem vitamina, mas se perguntarem qual a mais brasileira das frutas, a resposta, oito em cada dez vezes, será: a banana. Dito com uma ponta de malícia na voz.

Em matéria de bananas somos experientes: a fruta tropical é nossa! De cor verde-amarela, com formato alongado, parecido com o formato de um pepino, evitando outras analogias, porém de calibre mais variável. Sua polpa é de cor creme e tem uma textura macia, um tanto quanto melosa. Depois de descascada endurece com facilidade. Além disso é muito aromática, transferindo seu odor para objetos que entram em contato com ela. Mas, apesar de sua grande praticidade ao consumo, a banana oferece alguns transtornos...
Cerca de 150 pessoas no início da noite de quarta-feira, dia 9 de agosto, na cidade de Goiânia (Goiás), protestaram contra o Banana Shopping, onde um grupo de 19 homossexuais foi agredido por seguranças. O manifesto denominou-se “Uma banana para a homofobia”. Em uma carta-denúncia emitida em 21 de julho, uma vereadora de Goiânia, expressou sua indignação com a atitude do Prefeito Iris Rezende, que vetou a Lei nº 11, de 16 de março de 2006, originada no Projeto de Lei nº 105/05, que proíbe qualquer tipo de discriminação na cidade. Agora a Comissão de Constituição, Justiça e Redação e o Plenário darão seus pareceres sobre o veto, podendo derrubá-lo.
Derrubemos sim a idéia, dos que se sentem ameaçados com a lei, de que o respeito à orientação sexual não torna obrigatório a prática homossexual. Esses não seguros em relação a sua sexualidade, têm aumentado diariamente. Eles sim caem em cachos sobre nossas cabeças, sem maiores ou menores intenções semânticas.
e-mail: fernandacinthya@uol.com.br

domingo, agosto 06, 2006

Fidel (a)paga o charuto?

Para saber se um charuto está bem conservado, coloque-o entre os dedos e pressione devagar: a parte externa deve estar sem danificações, cortes ou rachaduras. Se ele ceder um pouco, e a folha estiver ressecada não é bom sinal.
De nossa parte, devemos recordar que nenhuma ameaça ou tentativa de pressionar em qualquer sentido intimidou Cuba. A história das últimas quatro décadas é algo que qualquer adversário real ou potencial, não tem razões, antecedentes ou qualquer base para ignorar. Mas no último 1º de agosto de 2006, Fidel delegou em caráter provisório, por razões de saúde, suas funções de comandante supremo das Forças Armadas, secretário-geral do Partido Comunista de Cuba e de presidente do Conselho de Estado ao seu irmão Raúl Castro Ruz, como prevê a Constituição cubana: uma trindade perfeita. Mas o regime que Fidel construiu à sua imagem e semelhança talvez não resista à sua morte.
E os empresários já comemoram como bons conhecedores de técnicas modernas para apagarem charutos... Sabem que ele apagará sozinho se o deixar repousando no cinzeiro (um fim digno e discreto). Assim, evitarão apagá-lo como se faz com cigarro: nada de apertar a brasa contra o cinzeiro. Também, nada de jogá-lo ao chão e pisá-lo em seguida. Um charuto apagado assim exala um forte cheiro.
E uma carta aberta já foi assinada por mais de 100 proeminentes acadêmicos, escritores e artistas cubano-americanos — deles, onde de Nova York — foi publicada como uma página de publicidade no jornal The Miami Herald. Nela é qualificada a política dos EUA em relação a Cuba como "um erro político e moral que já dura quase meio século". Sobre EUA e Cuba sabemos que quando um não quer dois não brigam, mas um sempre apanha!
Porradas! Tretas! Balelas!
Governos controlam muito bem a vida dos seus cidadãos, com fachada democrática ou não: liberdade de fazer o que lhes apetecesse - desde que consumissem e não consultassem dados proibidos na InfoRede.
Com a democracia dando resposta à quase todas as questões: qual era então o «medo» do Governo Democrático dos tab(us)acos cubanos? Trata-se apenas de uma substituição: um vício por outro. Uma «contra-droga» é a mesma coisa que uma droga.
Fidel, num gesto vago, coça a barba pensativo:
'Deixem ao menos o charuto!’
Mas limparão o cinzeiro à mesma, charuto e tudo, e acabaram por acender um cigarro!

quarta-feira, agosto 02, 2006

Araguaia Shopping garante diversidade!

Abandonando os guetos... essa é a tendência de uma parcela da comunidade homossexual que deseja integrar-se. Tenho notado essa presença particularmente no Araguaia Shopping aqui em Goiânia. Os encontros informais não possuem qualquer conotação política panfletária e sequer desejam demonstrar nada, são apenas indivíduos que desejam estar com seus iguais dentro de um espaço público. Isso por si, acaba se tornando uma postura política mais eficiente que dezenas de palavras de ordem, pois efetivamente gera a integração dentro de espaços anteriormente ocupados apenas pelos heterossexuais, indo muito além da mera visibilidade. A penetração de espaços sociais não-guetificados por casais e indivíduos homossexuais, tal qual nos bares e restaurantes considerados ambientes GLBTS, tem sido respeitado sem a necessidade do uso da força das leis que garantem esses direitos.
Ps. Abaixo parte do ensaio fotográfico: Eu do outro lado do espelho.