re-sacar
Talvez seja a idade: uma sensação de bem-estar foi, aos poucos, substituindo a aversão que sempre tive pela festa natalina. Até achei divertido passar o natal como víamos nos filmes. A família, os presentes e a ceia, menos a neve (sinto-me bem mais tolerante!).
Dia 26 de dezembro é dia de Santo Stefano, feriado na Itália. O dia serve para curar a ressaca do Natal e para preparar os ânimos para o ano novo. Verificasse a sobrevivência de fígado, rins, estômago. Aqui: engov. Nos casos mais dramáticos, um Gatorade resolve. Para nós, o dia 26 é igual, só que ressacamos no trabalho.
Já o 24 é geralmente um verdadeiro inferno, ou o paraíso, dependendo do lado do balcão que se observa. Pessoalmente senti-me no purgatório: encarei uma fila de duas horas no supermercado. Ganharia meia, não fosse o tumulto de uma ONG local. Hora certa para as entidades beneficentes menores ou menos conhecidas coletarem doações. Pois as maiores e mais organizadas preferem fazer um “dia nacional” em outro período, para evitar a concorrência e para ganhar destaque na imprensa.
E por falar em praticidade... Adoro a modernidade. Graças aos novos tempos e da falta de um jardim, em casa a árvore foi sintética. E os cartões? Os boas-festas chegaram por e-mails. Só mesmo as empresas preferiram confiar nos correios para se fazerem lembrar.
De resto, a rotina não cansa... preparar a ceia do dia 24; ceia da véspera tipicamente brasileira, contrariando a tradição, que aconselha peixe e comida leve; e, depois, cama. Dia 25: almoço com as sobras da ceia. Compramos apenas a coca cola e a cerveja para fazer descer o peru com farofa.
Hoje, 26, de ressaca, voltamos ao normal. A caridade e solidariedade retomam o nível usual e o movimento do comércio diminui. Uma sensação de calmaria permanecerá por alguns dias. Mas só até o dia 31.
Geralmente, nas ressacas natalinas dos anos-passados, eu estava certa de que não queria participar de outra pelos próximos anos. Mas hoje, acho duvidar mais filosófico...