Qualquer pessoa pode fazer poesia?
Qualquer pessoa pode fazer poesia?
Devo dizer que a poesia tem algo que não é dedutivo (pelo duto, pelo caminho lógico; do geral para o particular) nem indutivo (dentro do duto, do caminho; do particular para o geral). Há algo que Peirce chama de abdutivo afastado do duto previsível: a eureka, o insight, a maçã newtoniana.
Aliás, a abdução é o caminho criativo, é o que aproxima ciência e arte. É o parece ser que exige depois o ato, a comprovação do cientista e a realização do poeta. E poeta é quem se gasta e se ganha nessa sinergia entre o método e a realização. E para isso não há receitas. E o que acontece após é o deleite, o gozo, diria até, funda mentalmente o estético do conjunto.
“Como é fácil escrever poemas“


4 Comments:
Achei essa discussão no Blog outren e no seu infrutírefa. Poesia, poema, obra de arte... têm tantas nuances...
mas seu texto é muito centrado.
basta um pouco de bom senso pra separar boa poesia. Fácil de fazer? Jamais! Impossível? Não aos que tem o talento e o labor da/na palavra.
gostei muito das suas observações.
Uma velha história para todos:
Certa vez, em uma exposição de arte, um artista pegou um armário de metal, sem modifica-lo, e o colocou na exposição. Então um vizitante perguntou:
-"Isso é arte?"
Alguém respondeu:
-"O que é arte?"
Entenderam? HAHAHAHA, o que arte? O que arte? O que arte? O que arte?
ARTE!
O texto está muito bem escrito, parabéns Fernanda.
Pois bem, acho que qualquer pessoa está apta a escrever poesia. O poeta nada mais é do que aquele que um dia resolveu escrever algo em forma de versos. Há muitos que não ousaram transpor em forma de palavras escritas suas opiniões, suas reflexões, seus dilemas. E não há somente esses poetas, encadernados e que se expõem nas vitrines de uma livraria. Há os poetas da vida. Aqueles que somente com um olhar, um gesto, um sorriso, falam mais que todas as poesias. Os que escrevem acham-se no direito de se auto denominarem de 'poetas', e a esses são depositados os votos da sociedade para que essa arte, modificada pelo tempo, e também pelos poetas, não desapareçam. Se há a poesia, e isso é incontestável, há de se supor que há o poeta, e havendo o poeta, existe que se convencionou chamar de inspiração. E o que é a inspiração? Será que ela é de uso exclusivo de quem escreve? Ou melhor, de quem escreve poesia? Não! A inspiração, essa sensibilidade, que aflora na intima relação entre o poeta e o papel, pode também revelar-se a todos, independente da idade, sexo, religião. A poesia depende do ponto de vista de quem a vê. O que se considera poesia nada mais é que um monte de belas palavras, transpostas para o papel e que nada significam, senão meia duzia de belas palavras em torno de um assunto futil. Quantos assuntos melhores não teram os que não são 'poetas'. Minha cara Fernanda, discussões em torno de poetas e poesias são inesgotáveis. Mas o que seria da arte sem a contraposição? Um grande abraço. Rildo Bento de Souza.
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