segunda-feira, agosto 04, 2008

Hoje é 4 de agosto mas o verão este ano acabou cedo demais!

Acordei com um nó na garganta: hoje seria aniversário da minha avó, caso estivesse viva: 85 anos. Era a pessoa mais honesta, íntegra, paciente e meiga que conheci. Sempre autodidata e inteligente, mas que nunca teve chance de estudar. Era minha parceira de livros e filmes além de excelente contadora de histórias. Hoje, fico assim, miúda, querendo apenas abraçar. Era tão fácil estender os braços até ela. Hoje, queria apenas que estivesse aqui, encostada em mim, até sair pelos seus poros as gotinhas de amor e só soltá-la quando encharcar minha roupa com cheiro de "acabei de passar". Vovó, queria beber seu café, sentar na cozinha pra vê-la preparar um biscoito, comprar todas as revistas de costura que estivessem nas bancas. Te falar do meu amor, do seu e daquele que nunca me canso de sentir por você. Explicar meus planos, ouvir teus casos. Dividir nossas horas e um pedaço de doce. Chegar em casa, encontrar seu sorriso e receber seu beijo todas as noites. Você era de longe a pessoa mais especial desse mundo, sempre tão cheia de qualidades que até assustava. Você era tudo o que eu gostaria de ser. Era para mim o alívio. Daqueles 'ufas' que a gente solta depois do alongamento. Um travesseiro pra repousar a cabeça. Quero de você nem mais nem menos coragem, apenas aquela que você teve na medida exata. Sinto tanta saudade... E é isso o que te ofereço hoje, vó: a torta de sorvete feita por mim, nosso pratinho esmaltado, nossos moldes de crochê, um monte de livros e filmes, a máquina de costura, a xícara de café bem forte e uma vontade de chorar de tanto que meu peito dói de saudade, embora alguma coisa me diga que você deve estar por aí, recebendo meus presentes, meu pensamento, em alguma fazenda florida (que você tanto gostava...) dentro do céu, com aquele sorriso que você tinha todos os dias aqui na Terra. PS.: Ela foi embora quase dormindo no dia 26 de janeiro de 2008."Desde então entendi melhor os versos de Chico "Tristeza não tem fim/Felicidade sim".

4 Comments:

Blogger Unknown said...

Sinto muito, Fernanda.
Victor Hugo escrevendo sobre a partida de Jean Valjean disse: "Partiu com a mesma simplicidade da chegada da noite após o dia."
Se encararmos dessa forma, crendo que foi somente uma simples passagem, mesmo que a tristeza permaneça em seu coração, creio que ficará mais fácil de entender que chega o fim, mas o que ela cultivou jamais deixará de existir.
Sei que estarão sempre uma com a outra.
Abração

7:53 PM  
Blogger Tes Saloniki said...

Chorei também lendo esse texto... Não há uma única pessoa que tenha conhecido sua avó que não sinta por ela um grande afeto, muito respeito e admiração sem medida. Quantos cafés ela me ofereceu quando chegávamos em casa exaustos daquela aula no sábado de manhã. Quantas vezes ela nos ofereceu seus biscoitos, sua conversa gostosa, repleta de inteligência e sabedoria... Sua vó com certeza era um espírito muito antigo nessa terra, Fernanda, muito iluminado e que, com certeza, devido a alguma sabedoria que existe nesse mundo (de Deus, quem sabe?) veio para ajudar você nos seus caminhos, pois eu mesmo sei como seria tão mais difícil a sua vida sem ela...
Fico pensando no dia em que será minha mãe, e não consigo parar de pensar na tristeza que você deve estar sentindo. Não se preocupe, amiga, pessoas que se amam estão sempre destinadas a se encontrar no final, qualquer que seja ele. Estou certo que estaremos todos lá!

AMO MUITO VOCÊ!!!!!

RICARDO

11:15 PM  
Blogger Unknown said...

ai, amiga!
nao consigo escrever.
as lágrimas alcançaram o teclado...
era a minha vozinha também...
FAREI O ESFORÇO DE APENAS LEMBRAR DA VOZINHA BEIJANDO-ME NA TESTA.
E SÓ.

7:56 AM  
Blogger fernandacinthya said...

Amigos, obrigada pelo carinho e palavras. Chorei ao lê-los. Sou-lhes grata. Herança dela. Riqueza minha. Era pura humildade e gratidão. Humildade de Bach, humildade de Mozart, tão diferentes uma da outra (o primeiro agradece, dá graças, com gênio sem igual, o segundo, poder-se-ia dizer, é a própria graça…), mas ambas comoventes de gratidão feliz, de simplicidade verdadeira, de potência quase sobre-humana, com a serenidade, mesmo na angústia ou no sofrimento, de quem se sabe efeito, não princípio.
Esse prazer que devo a você Vovó, não é apenas para mim. Essa alegria é a nossa. Essa felicidade é a nossa.

9:58 AM  

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